segunda-feira, setembro 21, 2009

Luzes, ACÇÃO!

Começa com um nervorsismo, por maior que seja a experiência. Os murmúrios, a revisão mental de cada passo. Depois damos por nós a olhar para cima, para cada canto, para a nossa esquerda e para a nossa direita. Ainda nem começamos e já estamos a transpirar. Uns passos á frente e dois segundos de silêncio. Os aplausos e o espectáculo começa.
Depois, a sensação é óptima. Não conseguir ver para o escuro. Ter as luzes todas centradas em nós. Ouvir o silêncio em nosso redor, sentir a música.
As pernas tremem, querem falhar. Os pés estão cheios de feridas e a cara não pode revelar qualquer sentimento de dor.
É a minha vez de entar. Tenho sempre o medo de ficar petrificada e não conseguir mandar no meu corpo.
Sinto o chão, o cheiro da madeira, e a minha ofegante respiração. Grand pilé, Jeté, Grand Battement, Developpé.

A rotina acabou. Os pulmões quase que se afogam em ar. Estico o braço. Dou dois passos á frente. Uma perna cruzada sobre a outra e uma ligeira vénia. Novamente os aplausos.
Agora que acabou, sinto uma enorme paz dentro de mim. Tudo ficou no palco.
A cortina é corrida, ouço as pessoas a levantarem-se. O barulho torna-se bastante excessivo. Todos abandonaram o salão, excepto eu. Contemplo tudo á minha volta. Um sorriso ergueu-se na minha cara.
Este, é o meu palco.

domingo, setembro 20, 2009

love, again

"Sorri por dentro no dia em que me percebi apaixonada por ti, sabes?
De repente estava à tua frente, eu, tu, um café e um chá de menta.
E eu a tremer. E eu sem saber o que dizer a seguir, completamente
petrificada, completamente sem rede. Eu, que tenho sempre o
controlo das minhas emoções, dei por mim despida. Frágil, vulnerável. Apaixonada.

Dei por mim num enigma complicado de resolver. Se não fossemos amigos era tão mais fácil, não era? Não precisava de proteger coisa nenhuma, podia mostrar-te o que sentia e seguir em frente depois disso. Mas somos amigos. E nunca quis que achasses que o facto de estar apaixonada por ti mudava o que quer que fosse na nossa amizade. Não quis que pensasses que era melhor afastares-te por assim me custar menos. Não custa nem menos nem mais. Consigo separar as águas e perceber onde começa uma coisa e acaba outra.

Se não to disse antes foi apenas por não querer que te afastes. Não preciso que me protejas, nem nada disso. Não quero que mudes as tuas atitudes. Acontece que isto começa a ser complicado de gerir.Começa a ser urgente dizer-te o óbvio.
Aliás, acho que tu já sabes..."

Lénia Rufino

segunda-feira, setembro 14, 2009

KII

Acordei há pouco. Os meus olhos estão inchados e a luz perfura-os como uma faca numa ferida já feita. É um enorme esforço mante-los entreabertos e, no entanto, parece-me um dia sombrio.
Já passaram 20 minutos e pareceram 2. Tenho o estômago vazio, um corpo por vestir e duas toalhas para tirar. Neste cenário caótico, a única e primeira coisa/pessoa que me veio como no primeiro pensamento da matina, foste tu!

quinta-feira, setembro 10, 2009

La Dispute

Estou sentada numa cadeira desconfortável, de luz apagada e porta fechada. Ouvidos isolados e mente muito mais que aberta. Cada toque mais forte da música guia lágrimas, suaves e bastantes salgadas, pela minha face abaixo. É um cenário irónico, este. Assemelha-se bastante aos próximos tempos.
A música vai alternando mas o artista continua o mesmo. Continua a fazer-me chorar.

O tempo está lento e o tic-tac do relógio fá-lo parecer passar em câmara lenta. Consigo respirar mais num segundo do que antes respirava em dois minutos. E respirar, agora, começa a custar.

Da janela aberta, entra uma suave brisa. O meu cabelo sustenta-se no ar por segundos e depois desce, e volta a subir. E sobe e desce.

Agora o suave e doce cheiro do meu perfume torna-se intenso. (As lágrimas desceram até ao pescoço.) A fragrância traz memórias.

Neste momento, dou por mim, e já não choro. Tenho a cara seca e as mãos "mergulhadas" no aroma que estava no meu corpo.

A música. A brisa. A essência. As memórias. As lágrimas.