quinta-feira, setembro 10, 2009

La Dispute

Estou sentada numa cadeira desconfortável, de luz apagada e porta fechada. Ouvidos isolados e mente muito mais que aberta. Cada toque mais forte da música guia lágrimas, suaves e bastantes salgadas, pela minha face abaixo. É um cenário irónico, este. Assemelha-se bastante aos próximos tempos.
A música vai alternando mas o artista continua o mesmo. Continua a fazer-me chorar.

O tempo está lento e o tic-tac do relógio fá-lo parecer passar em câmara lenta. Consigo respirar mais num segundo do que antes respirava em dois minutos. E respirar, agora, começa a custar.

Da janela aberta, entra uma suave brisa. O meu cabelo sustenta-se no ar por segundos e depois desce, e volta a subir. E sobe e desce.

Agora o suave e doce cheiro do meu perfume torna-se intenso. (As lágrimas desceram até ao pescoço.) A fragrância traz memórias.

Neste momento, dou por mim, e já não choro. Tenho a cara seca e as mãos "mergulhadas" no aroma que estava no meu corpo.

A música. A brisa. A essência. As memórias. As lágrimas.

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