Depois, a sensação é óptima. Não conseguir ver para o escuro. Ter as luzes todas centradas em nós. Ouvir o silêncio em nosso redor, sentir a música.
As pernas tremem, querem falhar. Os pés estão cheios de feridas e a cara não pode revelar qualquer sentimento de dor.
É a minha vez de entar. Tenho sempre o medo de ficar petrificada e não conseguir mandar no meu corpo.
Sinto o chão, o cheiro da madeira, e a minha ofegante respiração. Grand pilé, Jeté, Grand Battement, Developpé.
A rotina acabou. Os pulmões quase que se afogam em ar. Estico o braço. Dou dois passos á frente. Uma perna cruzada sobre a outra e uma ligeira vénia. Novamente os aplausos.
Agora que acabou, sinto uma enorme paz dentro de mim. Tudo ficou no palco.
A cortina é corrida, ouço as pessoas a levantarem-se. O barulho torna-se bastante excessivo. Todos abandonaram o salão, excepto eu. Contemplo tudo á minha volta. Um sorriso ergueu-se na minha cara.
Este, é o meu palco.
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