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Se eu pegar no livro e o abrir numa das suas páginas brancas, com intenções de continuar a escrever a história, capítulo por capítulo, com emoção em cada paragrafo, sentimento em cada frase, paixão em cada período e respiração intensa e ardente em cada oração; se eu pegar na folha lisa e, mesmo sem papel milimétrico, sem compasso ou régua ou qualquer outro instrumento de medição geométrica, traçar as linhas, projectar os alicerces, elevar o edifício; se eu retirar um dos meus cadernos pautados, colocar um clave no início da pauta e tiver comigo o sentimento para passar, para o simples caderno, a música que me impulsiona consciente e inconscientemente a escrever isto, a dizer-te isto, a DAR-TE isto, pergunto eu, ajudar-me-ias TU, a continuar o livro? Ajudar-me-ias tu, a por de pé o edifício? Terias tu força, vontade, disponibilidade e sobretudo sentimentos para conseguir escrever a mais bela das melodias, que de dentro de cada um de nós os dois sai?
Existiria aí algo capaz de isto? Haveria algo, dentro de ti, tão forte que te faça aceitar ajuda, para projectar, seja o que for, uma arte de beleza indiscutível?
Isto é uma carta com destinatário, com remetente mas, contudo, sem receptor.
A pergunta fica no ar, suspensa, sem esperas dolorosas e ansiosas, tal como nós.
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