domingo, dezembro 27, 2009

A Carta


Se eu pegar no livro e o abrir numa das suas páginas brancas, com intenções de continuar a escrever a história, capítulo por capítulo, com emoção em cada paragrafo, sentimento em cada frase, paixão em cada período e respiração intensa e ardente em cada oração; se eu pegar na folha lisa e, mesmo sem papel milimétrico, sem compasso ou régua ou qualquer outro instrumento de medição geométrica, traçar as linhas, projectar os alicerces, elevar o edifício; se eu retirar um dos meus cadernos pautados, colocar um clave no início da pauta e tiver comigo o sentimento para passar, para o simples caderno, a música que me impulsiona consciente e inconscientemente a escrever isto, a dizer-te isto, a DAR-TE isto, pergunto eu, ajudar-me-ias TU, a continuar o livro? Ajudar-me-ias tu, a por de pé o edifício? Terias tu força, vontade, disponibilidade e sobretudo sentimentos para conseguir escrever a mais bela das melodias, que de dentro de cada um de nós os dois sai?

Existiria aí algo capaz de isto? Haveria algo, dentro de ti, tão forte que te faça aceitar ajuda, para projectar, seja o que for, uma arte de beleza indiscutível?

Isto é uma carta com destinatário, com remetente mas, contudo, sem receptor.
A pergunta fica no ar, suspensa, sem esperas dolorosas e ansiosas, tal como nós.

domingo, novembro 29, 2009

Noite.

É bastante notório este inchaço na parte inferior da minha vista. As causas são mais relativas. Não se deve só à falta de sono mas também ao imenso cloreto de sódio que por aí passa, sem sentido, intenção, compreensão. Mergulhei, rápida e directamente, num mar de confusão, um mar escuro com alternância de correntes gélidas e umas mais quentes, mas ainda assim frias.
Estou, agora, sem motivos de avançar ou ficar. Continuo a olhar para o espelho, e há horas que estou assim, e não consigo ver nada. Não consigo interpretar nada nesta transparência a não ser a ausência.
Tudo o que antes considerava belo, agora perde beleza, torna-se monótono e encaixa-se no ordinário. Não me diz nada.

Isto está, temporariamente, sem solução. Eu estou, temporariamente, num estado sem definição.

quarta-feira, novembro 25, 2009

The Meadow

Sufoca-me esta atmosfera envolta na fragrância que me é característica, este ar quente, a escuridão lá fora e o contraste que é feito pela vasta iluminação cá dentro. Contrasta também comigo. (A escuridão dentro e a luz fora.)

Apetece-me sair daqui. Chorar e correr. Ir para onde não haja ninguém que me pergunte se estou bem quando é TÃO óbvio que não o estou. Quero que a apatia se desintegre por completo. Quero o meu corpo de volta, a minha alma, o meu sorriso. Não quero este choro soluçante que me turva a vista e raios! Como doí!

Deixem-me. Deixem-me a mim, ás minhas melodias, a minha apatia insignificante para vós.
Não me obriguem a fingir. Por favor, deixem-me!

sábado, outubro 31, 2009

0,01 % do dia

Comecei-me a habituar a isto. Já não acho estranho as saudades, as lágrimas.

Viciei-me numa espécie de "dor".

sexta-feira, outubro 30, 2009

hey!


Começo por aqui ..., depois digo-te o resto.

domingo, outubro 25, 2009

Olha! O caos!

Olho para isto e dá-me pena. Tenho vergonha das pessoas que vejo na rua. Sim, vergonha. São fúteis, convencidas, cegas. Olham para isto e vêm no mundo o seu sonho cor-de-rosa. O(a) namorado(a) prefeito(a); a liberdade que tanto desejaram; a beleza que tanto queriam. Mas mal sabem eles que as pessoas são tudo menos perfeitas; mal sabem eles que neste mundo, deste modo, coisa que não há é liberdade; nem eles imaginam que a beleza está no simples e não no complexo e variado.

Falam da música que ouvem, da roupa que vestem, dos livros que leram, quando nem sequer sabem escutar a música que a mim tanto me diz... A roupa que vestem, despe-os e s livros que dizem ter lido (e até os podem ter aberto e folhado) são livros, naquelas mãos, por ler.

Depois, á mínima desgraça, parece que o mundo lhes cai na cabeça. Que já não são e não sabem ser nada (e alguma vez o souberam?). Desistem, dizem eles. Param ali. Não procuram, não avançam, não utilizam nem querem saber como utilizar o que de melhor temos em todo o corpo. E não, não é uma cara bonita nem um corpo escultural. Não é isso que os define. Nem a eles, nem a ninguém. O que têm de melhor é que os define a eles, sem que eles tenham consciência disso.

E depois há malucos como Fernando Pessoa, José Mário Branco, Friedrich Nietzsche, Frédéric Chopin e outros iguais a estes, (que parecendo que não já são muito),que têm a visão desta porra mais bonita que há: a verdadeira.

São 2:30 a.m. e está a chover.

segunda-feira, outubro 19, 2009

Monochrome


Eu posso tentar, mas é tudo o mesmo ciclo. Não leva a nada. Perdi dignidade, a cor do meu rosto, a minha aparência. Estou cansada. (Não te preocupes, estou a trabalhar e levar isto de um modo razoavelmente bem.)
Arrumo uns livros na estante, tiro umas coisas que já não uso e estou a pensar em dá-las a alguém que precise. Talvez compre um piano. Depois posso aprender a tocar. Era como uma nova cor. Não sei se vou gostar, mas tu gostas não é? E, afinal, eu adoro melodias em piano.

Isto está tão
monocromático. As paredes, os livros, o quarto. Esta casa e estes dias.
Continuo muito cansada. Tenho saído com amigos que se preocupam. Tenho tido jantares e festas. Mas n o meio disso também há muito silêncio.

Há muita monotonia. Estou a pensar em quebrar a rotina.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Luzes, ACÇÃO!

Começa com um nervorsismo, por maior que seja a experiência. Os murmúrios, a revisão mental de cada passo. Depois damos por nós a olhar para cima, para cada canto, para a nossa esquerda e para a nossa direita. Ainda nem começamos e já estamos a transpirar. Uns passos á frente e dois segundos de silêncio. Os aplausos e o espectáculo começa.
Depois, a sensação é óptima. Não conseguir ver para o escuro. Ter as luzes todas centradas em nós. Ouvir o silêncio em nosso redor, sentir a música.
As pernas tremem, querem falhar. Os pés estão cheios de feridas e a cara não pode revelar qualquer sentimento de dor.
É a minha vez de entar. Tenho sempre o medo de ficar petrificada e não conseguir mandar no meu corpo.
Sinto o chão, o cheiro da madeira, e a minha ofegante respiração. Grand pilé, Jeté, Grand Battement, Developpé.

A rotina acabou. Os pulmões quase que se afogam em ar. Estico o braço. Dou dois passos á frente. Uma perna cruzada sobre a outra e uma ligeira vénia. Novamente os aplausos.
Agora que acabou, sinto uma enorme paz dentro de mim. Tudo ficou no palco.
A cortina é corrida, ouço as pessoas a levantarem-se. O barulho torna-se bastante excessivo. Todos abandonaram o salão, excepto eu. Contemplo tudo á minha volta. Um sorriso ergueu-se na minha cara.
Este, é o meu palco.

domingo, setembro 20, 2009

love, again

"Sorri por dentro no dia em que me percebi apaixonada por ti, sabes?
De repente estava à tua frente, eu, tu, um café e um chá de menta.
E eu a tremer. E eu sem saber o que dizer a seguir, completamente
petrificada, completamente sem rede. Eu, que tenho sempre o
controlo das minhas emoções, dei por mim despida. Frágil, vulnerável. Apaixonada.

Dei por mim num enigma complicado de resolver. Se não fossemos amigos era tão mais fácil, não era? Não precisava de proteger coisa nenhuma, podia mostrar-te o que sentia e seguir em frente depois disso. Mas somos amigos. E nunca quis que achasses que o facto de estar apaixonada por ti mudava o que quer que fosse na nossa amizade. Não quis que pensasses que era melhor afastares-te por assim me custar menos. Não custa nem menos nem mais. Consigo separar as águas e perceber onde começa uma coisa e acaba outra.

Se não to disse antes foi apenas por não querer que te afastes. Não preciso que me protejas, nem nada disso. Não quero que mudes as tuas atitudes. Acontece que isto começa a ser complicado de gerir.Começa a ser urgente dizer-te o óbvio.
Aliás, acho que tu já sabes..."

Lénia Rufino

segunda-feira, setembro 14, 2009

KII

Acordei há pouco. Os meus olhos estão inchados e a luz perfura-os como uma faca numa ferida já feita. É um enorme esforço mante-los entreabertos e, no entanto, parece-me um dia sombrio.
Já passaram 20 minutos e pareceram 2. Tenho o estômago vazio, um corpo por vestir e duas toalhas para tirar. Neste cenário caótico, a única e primeira coisa/pessoa que me veio como no primeiro pensamento da matina, foste tu!

quinta-feira, setembro 10, 2009

La Dispute

Estou sentada numa cadeira desconfortável, de luz apagada e porta fechada. Ouvidos isolados e mente muito mais que aberta. Cada toque mais forte da música guia lágrimas, suaves e bastantes salgadas, pela minha face abaixo. É um cenário irónico, este. Assemelha-se bastante aos próximos tempos.
A música vai alternando mas o artista continua o mesmo. Continua a fazer-me chorar.

O tempo está lento e o tic-tac do relógio fá-lo parecer passar em câmara lenta. Consigo respirar mais num segundo do que antes respirava em dois minutos. E respirar, agora, começa a custar.

Da janela aberta, entra uma suave brisa. O meu cabelo sustenta-se no ar por segundos e depois desce, e volta a subir. E sobe e desce.

Agora o suave e doce cheiro do meu perfume torna-se intenso. (As lágrimas desceram até ao pescoço.) A fragrância traz memórias.

Neste momento, dou por mim, e já não choro. Tenho a cara seca e as mãos "mergulhadas" no aroma que estava no meu corpo.

A música. A brisa. A essência. As memórias. As lágrimas.

quinta-feira, agosto 20, 2009

run

Para sobreviver neste mundo, mantemos perto de nós as pessoas de quem dependemos.
Confiamos nelas as nossas esperanças, os nossos medos. Mas, o que acontece quando se perde a confiança?
Para onde fugimos quando as coisas em que acreditamos desaparecem diante os nossos olhos?
Quando parece tudo perdido, o futuro desconhecido, a nossa existência em risco... Tudo o que podemos fazer é fugir.

segunda-feira, agosto 17, 2009

sonhos envolvidos em pesadelos

Pode parecer estranho mas a morte é aquilo que mais nos liga a todos. Recorda-nos que o que realmente importa foi quem tocámos o quanto de nós demos. A morte mostra-nos que temos de ser bons uns para os outros.
Sonhamos com esperança, sonhamos com mudança, com fogo, com amor, com a morte. E quando isso acontecer, o sonho realiza-se. E a resposta a esta busca, a necessidade de resolver todos os mistérios da vida, revela-se enfim como a luz incandescente de uma nova alvorada.
Tanta luta por um sentido, um objectivo, para no final, encontrarmos nos nossos semelhantes, as experiências partilhadas do fantástico e do mudando. A simples necessidade de encontrar um congénere a quem nos ligamos e de sentir, lá no fundo..., que não estamos sós.

sábado, agosto 15, 2009

Rita, prazer.



"E do meu sonho transformado em acto,
do engano do mundo já despido,
este que vês,
é o meu retrato."


Olá, este é o meu segundo blog.